4 de setembro de 2013

Nua


Obra (A Banhista, Renoir)


Nos últimos tempos tenho visitado vários Museus, e uma coisa chamou atenção. As pinturas e esculturas mostrando o corpo nu da mulher. O Fascínio de artistas famosos demonstrando através de sua arte a figura da mulher. Sempre com um olhar generoso, quase uma adoração. Se observamos com atenção, podemos ver que existe uma cumplicidade em várias obras, por vezes coleções inteiras com a mulher nua ou quase nua.

Fiquei pensando, confesso com certa tristeza, que hoje a mulher não é mais adorada, não mais venerada, não existe pintores retratando sua beleza. Segredos sobre as curvas e suspiros desapareceram. Temos nossos corpos vendidos em páginas de revistas, nossa intimidade invadida. Fácil e acessível. Quando isso aconteceu? Em que momento nossa liberdade nos reduziu. 


Essa disponibilidade do corpo da mulher através dos meios de comunicação, em algum momento da história transformou nosso comportamento. Quem lê pode imaginar que eu não valorizo nossa liberdade. Sim, eu valorizo, seja ela do corpo, das palavras ou da postura. Mas acredito também que somos em parte culpadas. 

Esse processo iniciou-se a décadas passadas, mas está criando uma geração robótica. Perdemos a individualidade. Não lutamos mais por liberdade. Usamos rédeas sem se dar conta. Ainda engatinhamos com nossa liberdade nas costas. 

A História conta que foi em 1789, durante a Revolução Francesa que se deu início a movimentos em defesa de diretos igualitários para homens e mulheres. Aqui no Brasil só 1955 as mulheres conseguiram direitos políticos, que só foram promulgados na década de 60. Isso ainda não era nada no formato social que a mulher brasileira vivia. Então em 1979 o Brasil assumiu com outros países, um compromisso de combater todas as formas de discriminação contra a mulher. 

Isso quer dizer que muitas avós e até mães, em nossa atual sociedade não pôde sentir o gosto da liberdade. Mas será que essas mulheres que lutaram por nós, hoje estariam felizes? Conquistamos o que nos foi prometido?

Deixamos de lutar, decidimos entregar esse dever aos homens, não vamos mas as ruas queimar sutiãs. Nos calamos. Desprezamos não só nossos ideais mas nosso corpo.

A exigência de padrões de beleza, cria um desconforto e um preconceito quando não atingimos as expectativas. Situação imposta  e aceita por nós, está  fora dos padrões da mulher brasileira. Não valorizamos nossas curvas, nossas marcas, nossas rugas. Quando na verdade a beleza da mulher está na sensualidade, em como ela lida com o corpo. Está na feminilidade. Na diferença de Sensual e Sexual.

Saúde, cuidados com a pele e com o corpo são fundamentais. mas não dá pra viver uma vida de futilidade, vazia. Colocando de lado a pessoa incrível que é, para seguir ideais de outros. O exagero no Botox está deformando não só rostos mais almas, tornando a mulher insegura e frágil. Dependente e carente. Estamos buscando uma juventude passada e esquecendo de aproveitar os prazeres da maturidade.

Quando foi a última vez que você se olhou no espelho? Sem pensar em dizer "eu preciso perder alguns quilos". Quando você se sentiu sexy e desejada? Faça isso hoje, veja a mulher linda que é. Admire seu corpo e tudo nele. Afinal somos eternas buscadoras de perfeição. Mas sem exagero. Use as ferramentas disponíveis sem esquecer VOCÊ.
Leia mais, Ame e  inspire outras mulheres a buscar razões para ser livre e para acreditar em direitos realmente iguais.

4 comentários:

  1. Olá Ivone, vim conhecer seu blog, a Elza pediu eu estou aqui. Adorei as palavras, o video ficou ótimo. Parabéns e Sucesso!

    beijos, Jaqueline

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    1. Este comentário foi removido pelo autor.

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    2. Obrigada por disponibilizar tempo para meu projeto. Visite sempre. Faço com carinho. Bjs

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  2. Nossa falou tudo , esta exposição do corpo feminino esta sendo usada para julgar e hoje simpatia e confundido com ser dada , educação por interesse .......
    A solução e esta bem consigo mesma , não importa os padrões de beleza , e principalmente se amar muito , assim o resto que vem de fora no vai te atingir .

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